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Após a destruição de Roma, causada pelo incêndio provocado por Nero, coube a Vespasiano a tarefa de reconstruir a cidade. Próximo ao Forum, o novo imperador ergueu o Templo da Paz e, no centro da cidade, edificou o Anfiteatro Flaviano (que na Idade Média passou a ser chamado de Coliseu). O grandioso estádio, no qual predominava a pedra mármore, media 187 metros de comprimento por 155 de largura, com 48,5 metros de altura. Tinha capacidade para 50 mil lugares sentados, que podiam ser protegidos do sol por enormes toldos, além de 20 mil em pé. Os 80 acessos eram numerados e os lugares marcados. Na inauguração, no ano 80 da Era Cristã, nos tempos de Tito, foram realizados festejos que duraram 100 dias; gladiadores travaram combates, houve espetáculos circenses e mulheres exibiram-se como domadoras.

 

Tito mandou encher de água a arena do Coliseu e ofereceu deslumbrantes espetáculos aquáticos que ficaram registrados em diversas obras de escritores romanos. Tito era chamado Delícias do Gênero Humano, pelo seu caráter bondoso que procurava aliviar o sofrimento do povo; propalava-se ser ele tão bom, que quando passava um dia sem ter feito algum bem, lamentava-se: diem perdidi (perdi o meu dia). O imperador teve morte inesperada, aos 42 anos, houve suspeitas de ter sido envenenado. Os judeus afirmaram que sua morte prematura foi a punição divina pelo seu ato em destruir o Templo de Jerusalém . . .

 

Além do Coliseu, havia também o anfiteatro de Pompéia, o mais antigo dos estádios romanos, que poderia ter servido aos jogos de bola. Construído em 80 a. C., cavado na terra, o impressionante estádio tinha 35 fileiras de assentos para 20 mil espectadores e um número não calculado para assistentes em pé. Um gigantesco toldo protegia a arena e o público, do sol e da chuva. O anfiteatro foi erguido no tempo de Sila, considerado o primeiro imperador de Roma, aquele que abriu caminho para os futuros césares. O harpastum e o follis poderiam ser incluídos nos espetáculos promovidos pelo imperador; todavia o poder romano não era favorável àquelas modalidades esportivas. Segundo o escritor Plutarco, o imperador Sila "quando moço, era uma criatura sensível, amando a alegria e o riso, mas depois entregou-se ao assassínio e aterrorizou Roma pelas suas execuções sem número e sem freio".

 

Sob o império de Sila, a população de Roma tinha grande predileção pelos espetáculos de arena, de preferência com muito sangue correndo. Por ordem do cruel imperador, os prisioneiros de guerra eram forçados aos combates de vida ou morte, lutas múltiplas com variados tipos de armas. Enquanto o morticínio ocorria nas arenas dos anfiteatros, Sila entregava-se às carícias de Valéria, dama romana de grande prestígio e poder.

 

Absurdamente, os jogos de bola não faziam parte dos espetáculos públicos promovidos pela corte, ficando restritos aos campos e regiões adjacentes à cidade de Roma ou aos acampamentos dos legionários. Quando Sila derrotou Mario, seu antecessor, o enorme exército vitorioso, estacionado nas imediações da cidade, comemorou a conquista com partidas de harpastum e follis. Todavia, o caráter perverso do detestável Sila, conforme registrado por Plutarco, só o permitia ver e gostar do derramamento de sangue, coisa que os jogos de bola não ofereciam.