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Enquanto as coisas estavam complicadas na Inglaterra, outros povos faziam a bola rolar. Na França, continuava o soule; na Toscana, jogava-se o calcio; os chineses, sempre sorridentes, corriam atrás da pelota, em meio aos foguetórios de artifício. No Japão, os samurais exercitavam-se com uma bola, para os combates, pois um bom drible acostuma o corpo a se livrar do golpe da espada do adversário. Nórdicos, eslavos e árabes, este últimos jogando a koura, faziam o futebol alastrar-se pelo mundo. . .

 

O jogo também foi assinalado entre os índios do continente americano. Do México à Terra do Fogo (Argentina) toda a civilização pré-colombiana jogou bola, conforme está registrado por diversos autores. Eis alguns exemplos:

 

O historiador espanhol Antonio Herrera y Tordesillas (1559/1625), considerado o “cronista maior das Índias”, menciona uma diversão com bola de borracha extraída das árvores. O jogo era praticado entre os índios do Haiti, na época do desembarque de Colombo. Herrera y Tordesillas jamais esteve no Novo Mundo, mas pesquisou intensamente nos arquivos reais da Espanha e entre 1601 e 1615 escreveu sua obra maior: Historia general de los hechos de los castellanos en las islas, y tierra firme del mar Oceáno .

 

Outro escritor que relatou jogos de bola no continente americano foi o missionário francês Pierre François Charlevoix.

 

Frei Bernardino de Sahagún (1500/1590), considerado o maior dos missionários católicos no México, narra o mesmo tipo de jogo naquele país e em São Domingos. Especialista no idioma dos nativos, Sahagún escreveu, entre outras obras notáveis, a Historia de las cosas de Nueva España, além de um vocabulário trilingüe (asteca, espanhol e latino).

 

Por sua vez, Antoine–François Prévost (1697/1763), registrou que entre os astecas havia um animadíssimo jogo de bola denominado tlatchtl. Sobre Prévost, autor da famosa obra História do cavalheiro Des Grieux e de Manon Lescaut, cabe a seguinte correção: freqüentemente, ele é mencionado como abade Prévost, equívoco de tradução, pois a palavra abbé, naquela época, significava padre secular não obrigado aos rigores dos deveres religiosos, servindo também para designar um ex-padre. Na verdade, Prévost na juventude estudou em colégio jesuíta, do qual foi expulso por causa do seu comportamento. Depois, conseguiu tornar-se monge beneditino, mas fugiu do convento, viajando para a Holanda e Inglaterra, onde se envolveu em tumultuadas paixões amorosas, dívidas e fraudes. Prévost só diminuiu seu ritmo frenético ao se tornar literato...

 

Mas é no capítulo seguinte que vamos tomar conhecimento do mais espetacular dos jogos de bola no continente americano.