...::: www.murilobrasil.com.br - A BOLA ENTRE OS ESTUDANTES - Seja bem-vindo :::...

 

Depois desses episódios do século XVII, na Inglaterra, o jogo passou por transformações, surgindo regras que eliminaram grande parte da violência e, principalmente, o costume de levar a bola à praça principal da cidade adversária. Sob a influência do calcio e liberado pela proclamação de Jaime I, confirmada pelos seus sucessores, o futebol foi, lentamente, ganhando prestígio.

 

Depois das melhorias gerais no jogo, na Inglaterra, persistiu uma dúvida: a bola deveria ser conduzida com as mãos, ou somente com os pés ?

 

Foi então que Thomas Arnold, um professor da Universidade de Rugby, começou a defender com entusiasmo a inclusão, na vida escolar, da prática dos esportes. Hoje, em escolas, colégios, ou universidades, há quadras ou campos para competições esportivas.

 

Mas, no passado não se podia aceitar estudante praticando esporte dentro das escolas. Eram velhos preconceitos; entretanto, Thomas Arnold lutou e conseguiu seu objetivo.

 

Muitos direitos e benefícios usufruímos sem saber quantos sofreram para que conquistássemos tais proveitos. Por exemplo: na Idade Média, a noiva, logo após a cerimônia de casamento, tinha que perder a virgindade entregando-se ao senhor feudal. O costume, com força jurídica (jus primae nocte, "direito de primeira noite”) não podia ser desobedecido; entretanto, ao longo do tempo, cresceram as resistências populares e o direito feudal acabou sendo abolido.

 

Falemos um pouco de Thomas Arnold: ele nasceu em East Cowes, ilha de Wight, em 13 de junho de 1795, sendo educado em Winchester e Oxford. Aos 30 anos, candidatou-se a chefe de escola em Rugby, determinado a modernizar o sistema educacional da Grã-Bretanha. Ao lado de dois companheiros que compartilhavam de suas idéias, Arthur Penrhyn Stanley e Thomas Hughes, o professor Arnold batalhou para revitalizar o conceito de união harmoniosa entre o físico e a mente. Para ele, o esporte organizado era imprescindível na educação do jovem, disciplinando-o, aprimorando-lhe as qualidades morais, conduzindo-o a descarregar suas energias. Arnold também alertava para a necessidade das práticas esportivas a fim de conter os impulsos de contestação de ponderável parte da juventude inglesa que se mostrava insatisfeita contra o conservadorismo rigoroso dos tempos da rainha Victoria.

 

O esclarecido mestre, em 1830, aproveitando o antigo jogo denominado hurling at goal (arremesso ao gol), praticado por equipes que contavam entre 40 e 60 jogadores, num campo de 100 metros de cumprimento por 30 de largura, com dois postes sem travessão, idealizou as bases do rugby, que posteriormente serviram de fundamentos para o futebol americano e o handebol.

 

Thomas Arnold morreu prematuramente aos 47 anos, em 1842. Sua memória também não tem sido devidamente lembrada pelos esportistas, repetindo-se o esquecimento que se verificou em relação ao rei Jaime, como mencionamos anteriormente.

 

As práticas esportivas entre os estudantes tiveram resultados os mais positivos, valendo notar que duas modalidades, hoje bastante populares em todo o mundo, foram criadas dentro de colégios, pela necessidade de manter os estudantes em atividade física durante o inverno. O futebol e o rugby por necessitarem de grande extensão de terreno ficavam paralisados naquela estação, pois além das baixas temperaturas os campos cobriam-se de neve. Assim, surgiram o basquete e o vôlei, nos Estados Unidos; o primeiro, inventado em 1891 por James Naismith, professor de Educação Física no Colégio de Springfield; o segundo, criado por William Morgan em 1895, na Associação Cristã de Moços de Hollyoke, Massachusetts.

 

O futebol ao entrar nas escolas rapidamente evoluiu, tanto na prática, como na decisão da modalidade a adotar. Os colégios ingleses discutiram como a bola deveria ser conduzida:

 

Com os pés ?

 

Ou com as mãos ? (Como queria a Universidade de Rugby).

 

O futebol com os pés foi adotado pelas Universidades de Sheffield, Eton, Harrow, Cambridge, Charterhome, Westminster e outras. Mas, as regras ainda eram confusas e coube a Cambridge acabar, em grande parte, com os problemas, criando um regulamento definitivo.

 

A celebridade de Cambridge iniciou-se com o Colégio de Peterhouse, em 1284. Fazem parte do seu sistema universitário os Colégios Christ, onde Erasmo ensinou teologia; o King's, o Queen, o Corpus Christi e o Trinity, onde estudaram o filósofo Francis Bacon, o poeta Byron e o físico Isaac Newton.

 

O futebol moderno nasceu em 26 de outubro de 1863, data em que, após campanha de alguns veteranos de Cambridge, apoiados pelo jornalista John D. Cartwright, decidiu-se pela criação de um órgão que reunisse colégios, clubes e disciplinasse as regras, acabando com as divergências. A reunião foi na Freemason's Tavern, na Great Queen, em Londres, quando se fundou a The Football Association.

 

As primeiras regras, em número de 13, foram aprovadas em 8 de dezembro daquele ano e publicadas, primeiramente, na revista Bell's Life. A composição de cada time com 11 jogadores deve-se a que as turmas dos colégios ingleses eram, geralmente, integradas por 10 alunos e um bedel (espécie de inspetor). Este último, talvez como castigo, era sempre mandado para defender o gol, quando muitos alunos, aproveitando a oportunidade, chutavam com violência em cima do goleiro.

 

A primeira disputa oficial entre clubes foi pela Taça da Inglaterra, em 1871, com 15 clubes, sendo campeão o Wanderers. O primeiro jogo internacional realizou-se em 30 de novembro de 1872, entre Escócia e Inglaterra, no Queen's Park, em Glasgow, com empate de 0 x 0.

 

 

O prédio da Freemason's Tavern, em Londres, onde em 1863

 

foram estabelecidas as primeiras regras do futebol atual.

 

Devidamente regulamentado, o futebol foi levado pelos ingleses a outros países, através de imigrantes. Em 1865 fundou-se na Argentina o Buenos Aires Football Club, o que explica a superioridade dos argentinos na América do Sul, durante as primeiras décadas do século XX, superioridade que eles dividiam com o Uruguai, que teve seu futebol organizado em 1882.

 

Eis várias regras aprovadas na fundação da The Football Association (algumas sofreram modificações posteriores), além de outras que vieram a ser introduzidas:

 

O comprimento máximo do campo era de 182 m por 91 de largura.

 

O tamanho do gol tinha a seguinte definição: duas traves verticais separadas por 7,32 m, sem qualquer travessão horizontal entre elas. O gol era marcado quando a bola passava entre as duas traves, ou sobre o espaço entre elas, não importando a altura da trajetória da bola. Em 1865, foi definida a altura do gol, com uma fita ligando as duas traves a 1,82 m do chão (hoje 2,44). Em 1875, a fita foi substituída pelo travessão de madeira; as redes apareceram em 1881, em Birmingham, generalizando-se seu uso, embora elas só fossem adotadas oficialmente em 1938, quando houve revisão geral das regras, que aumentaram para 17, com novo texto e novas interpretações.

 

Em 1872, por sugestão da Sheffield Association, foi introduzido o tiro de canto.

 

Em 1874 apareceram os auxiliares do juiz. Por sua vez, o árbitro que apenas atuava quando solicitado pelos capitães de equipe ganhou total poder de arbitragem, isto em 1894.

 

O pênalti foi introduzido em 1880 por sugestão da Federação da Irlanda.

 

A The Football Association publicou um livro, em 1886, com explicações sobre cada regra e orientações práticas para o seu correto cumprimento.

 

Em 1896 o número de jogadores foi definido em 11, oficializando o que já vinha sendo seguido na prática.

 

No mesmo ano, as dimensões do campo foram aumentadas: comprimento de 91,4 a 118,4 m ; largura de 45,7 a 91,4 m.

 

A definição de “mão na bola” e “bola na mão” ocorreu em 1897, com a introdução da palavra “intencional” no texto da regra. Deixava-se de punir o jogador cuja mão era tocada involuntariamente pela bola.

 

Em 1898 a duração do jogo foi fixada em 90 minutos, divididos em dois tempos de 45, com 15 de intervalo.

 

As alterações definitivas das marcações do campo foram efetuadas em 1900. A grande área, que originalmente era circular, já havia sido modificada em 1893, delimitada por uma linha paralela ao gol, de lateral a lateral.

 

Quanto ao impedimento, ele sempre causou polêmicas, devido a certas dificuldades na sua marcação. Depois da determinação inicial em 1863, o impedimento sofreu alterações em 1866, 1907 e 1925, além de outras mais recentes. Na verdade, esta regra merece ser profundamente analisada para que não continue provocando queixas e reclamações. Dir-se-ia que o impedimento é o “calvário” dos árbitros e assistentes. Por outro lado, as câmeras de filmagem com seus variados recursos representam considerável vantagem da tecnologia sobre o olho humano. Sem dúvida, a regra do impedimento é, muitas vezes, incompatível com a capacidade e velocidade de raciocínio dos seres humanos . . .

 

 

 

 

Na evolução do football association houve a introdução

 

do juiz e bandeirinhas (hoje chamados árbitros e assistentes).

 

Pitorescos e serelepes, eles formam o polêmico trio de arbitragem.